Segunda-feira, Janeiro 19, 2009
Segunda-feira, Outubro 20, 2008
200gr…
Terça-feira, Outubro 14, 2008
200gr…
Pois é, e agora é de vez!!
O Barulho da Casa está de volta, para não mais se calar.
Exactamente 1(um) ano depois da última edição, voltamos em força com um convidado há muito desejado…
O amigo António Júlio, explorando a performance, 200gr.
Como é hábito, Barulho decorrerá na
Quarta-feira, 22, pelas 21.30, na cidade de Vila de Conde, em local a anunciar.de António Júlio
Produção Mugatxoan 2006 / Arteleku Gipuzkoako Foru Aldundia / Fundação de Serralves
200gr. não é a forma de eu dizer eu.
É uma forma de exibição mas não assumida.
200gr. é uma forma de dizer um.
Se numa embalagem não existisse senão a designação de peso, nada ficaríamos a saber acerca da natureza do seu conteúdo. Esperaríamos pela sua revelação. Ansiaríamos por abrir a embalagem e conhecer o produto. E poderia ser que o produto do interior fosse outra embalagem com a designação de peso, que nos instigasse a continuar.
200gr, não acrescenta nada sobre a natureza do objecto observado. O peso é uma referência inscrita na parte exterior superficial do objecto.
200gr é uma informação dispensável. Refere-se a um pedaço, a uma porção individual e adianta que talvez seja leve, talvez pequeno...
“Del más difícil todavía, de preguntarse ¿cómo lo hace? Pero sin el ¡alehop!: desde el silencio, la meditación y la pureza de la plástica. La reflexión sobre el cuerpo es misteriosa y profunda.”
Sergio Herrero (Madrid)
O convite para apresentação do “200gr.” no Barulho na Casa surge como oportunidade de reflexão sobre o próprio trabalho e os seus limites. Quero aproveitar o momento para iniciar uma fase de releitura da peça. Forçar uma saída, estar do outro lado ou abrir uma embalagem dentro da embalagem são os princípios motores desta fase que culminará com a apresentação em La Laboral, Gijón, em Junho de 2009.
Porto, 14 de Outubro de 2008.
Quinta-feira, Julho 24, 2008
Bem, não acredito!!!

Em parceria com o atelier de arquitectura 100 Planos, o Barulho na Casa organiza a exposição 20ver, com obras do escultor Carlos Rodrigues.
A inauguração será na tarde do dia 02 de Agosto, no 163 da rua do Lidador, Vila do Conde.
O convite está feito…
Segunda-feira, Fevereiro 4, 2008
Porreiro pá…

Questões de gosto…

http://static.publico.clix.pt/docs/politica/projectossocrates/index.html
O Barulho está de volta…
Terça-feira, Outubro 30, 2007
Amanhã (quarta-feira 31 de Outubro) faz-se barulho…
Apareçam no local indicado no mapa anexo.

Até lá, façam barulho que a casa agradece.
PS: Recomenda-se que tragam um assento.
Sexta-feira, Outubro 26, 2007
Pois é…
É já na próxima quarta-feira, 31 de Outubro que se realiza mais uma edição do Barulho na Casa.
A associação Habitat For Humanity, vem dar a conhecer o seu trabalho, os projectos em curso e os objectivos futuros.
A Associação Humanitária Habitat é uma associação de base cristã e ecuménica, fundada em Braga em 1996, que tem como objectivo principal procurar resolver os problemas habitacionais de famílias portuguesas carenciadas.
É sua convicção e experiência que uma família que tenha a possibilidade de viver numa casa digna tem também as bases para desenvolver uma vida em família saudável e construtiva.
A Associação Humanitária Habitat é uma filial da Habitat for Humanity International (HFHI), organização filiada em 100 países e que, desde 1976, já construiu mais de 125,000 casas, em todo o mundo, garantindo a mais de 600.000 pessoas uma habitação segura, digna e de baixo custo.
Durante a próxima semana indicaremos o ponto de encontro, até lá façam barulho que a Casa agradece.
Segunda-feira, Setembro 17, 2007
E viva a rentrée…
É isso, o Barulho está de volta…
Depois das férias, do calor, das filas a caminho da praia, dos finos, dos calções e dos biquinis, façamos outra vez Barulho nesta Casa que é de todos.
Na próxima quinta-feira, 20 de Setembro, pelas 21.30 volta-se a fazer Barulho na Casa, desta feita na bioshop “Quintal“, localizada na Rua do Rosário 177, (em frente ao café Célia, Miguel Bombarda).
***Tema Surpresa***
Quarta-feira, Junho 13, 2007
A Casa aconselha…
Com a chegada do Verão o Barulho aumenta consideravelmente por por esse Portugal fora, sob a forma de festivais, concertos, encontros, colóquios, ou qualquer outra simpática forma de beber cerveja em grupo.
Assim, decidimos dar o nosso contributo na divulgação de eventos que muitas vezes ficam esquecidos nas entrelinhas das agendas culturais. Para tal criamos a secção “A Casa aconselha…”, pelo que ficamos à espera do contributo de todos.

Começamos com chave de ouro, com um dos grupos mais entusiasmantes que a tão em voga Musica do Mundo nos tem oferecido e sem dúvida um dos que mais berra cá na Casa.
Trata-se do grupo brasileiro Cordel do Fogo Encantado, que após um épico concerto no festival de Sines voltam ao nosso pais na próxima sexta, actuando às 22h no Largo da Sé em Viseu.
É sem dúvida um espectáculo a não perder, dum grupo que começou no teatro e pouco a pouco se foi entregando à música.
Até Sexta.
Quinta-feira, Maio 31, 2007
Não sei dos outros… Sei de mim.
O presente texto, surge como resumo da apresentação e debate levado a cabo no Barulho na Casa, em 18 de Maio de 2007, a cargo do Jesuíta Francisco Campos.
Após fazer tanto barulho na minha própria casa (que me perdoem os que me aturaram) que mais posso eu dizer? Acho que disse quase tudo o que poderia e sei dizer. Mas como pôr isso agora numas letras disponíveis para quem passe por este cantinho?
Estive a pensar… Aquela sessão do Barulho na Casa foi uma apresentação da Companhia de Jesus na 1ª pessoa, para quem pouco conhecia o que é isto de ser jesuíta. Vendo bem, é uma situação muito análoga à que os meus amigos viveram quando decidi optar por este caminho de vida.
Nessa altura, no noviciado, que é a primeira fase de formação bastante fechada mas fundamental porque nos dá as bases para o resto da vida religiosa, tive que dar contas da minha situação. Ninguém que esteja minimamente são da cabeça se mete no “convento” (como muitos lhe chamavam) sem explicar porquê. E tive de me explicar. Agora, tendo eu que me voltar a explicar, recupero uma carta que escrevi para quem quisesse saber de mim. Curiosamente, trata exactamente daquilo que falámos no Barulho na Casa no passado dia 16 de Abril, no CREU-IL (Centro de Reflexão e Encontro Universitário Inácio de Loyola – ver: http://www.creu-il.com/). Vendo bem, nada mudou e, por isso, é um escrito apropriado para voltar a trazer à baila agora, 2 anos depois.
Fica o agradecimento a todos os que estiveram presentes e tiveram a paciência de me aturar tão simpaticamente, e o agradecimento ao CREU-IL ao Pde. Nuno Tovar de Lemos e ao Pde. Vasco Pinto Magalhães que nos acolheram tão bem.
Francisco Ferreira de Campos, sj (franciscofcampossj@gmail.com)
Comunidade Pedro Arrupe – Braga
Olá!! E ora viva!!!
Ainda bem que esta carta chega a bom leitor!! Tenho imenso para contar e nem sequer sei como fazê-lo. Por aqui os dias continuam, passo a passo a serem vividos, ao que parece cingidos a um horário repetitivo, mas sempre a uma velocidade estonteante e com uma intensidade ainda mais delirante. Ainda não cheguei aos êxtases místicos, nem perto do que se lhe pareça, mas não tenho deixado de voar pelos abismos profundos e mergulhado nos céus elevados. E só isso, para além da trabalheira que dá (que sai do pêlo!), mostra-nos como é grande a misericórdia e a generosidade de Deus, e mostra-nos que para correspondermos na nossa ínfima e miserável escala ao seu amor, temos de viver a 110%. Aqui não se faz mais nada… Vive-se apenas. Mas vive-se a sério! Tenta-se viver em plenitude, não negando o que somos, mas integrando tudo o que somos no plano do amor de Deus (coisa profundamente complicada para eu entender e conseguir explicar, sem quaisquer bases de teologia – por isso apenas faço por vivê-las! – Explicações ficam para daqui a 8 anos… As primeiras e mais básicas!! E as outras, mais rebuscadas, a ver vamos!!)
Os Super-Heróis
Quando anunciei a minha decisão de vir para o Noviciado da Companhia de Jesus, senti que a maior parte das pessoas acharam isto um escândalo e que estava doido. As reacções imediatas foram das mais variadas e desde as mais exóticas, às mais comuns, foram todas de espanto. Deixo vários exemplos das respostas que me foram sendo dadas, quando dizia: “Vou mudar de vida. Vou entrar na Companhia de Jesus”. A mais comum: “Estás a gozar!”. A mais surda: “Ah… isso de facto é mudar de vida… Mas para que companhia de seguros vais?”; A mais lisonjeira: “Caramba… Os Jesuítas levam sempre os melhores!!”; A mais embaraçada: “Mas… Mas… Mas… Franc… Mas… Francisco… Tu tens a certeza de que essa é uma opção consciente?”; A mais de encontro imediato do 3º grau: “Ah… Que giro… Um dia conheci um padre.”; A mais conformada: “O que tem de ser, tem muita força.”; A mais inconsciente: “Bom… Mas essa decisão não tem volta atrás?”. Não consigo aqui retratar as expressões das caras, nem gestos do corpo todo. Até porque infelizmente, tive de dar a notícia que anda mais depressa que a luz (velocidade a que estas notícias se espalham), para que a ouvissem de mim, por telefone, a tanta gente. Mas uma coisa foi comum em todas as respostas: o silêncio da surpresa. E quanto mais curto o silêncio, mais surpreendente e cómica vinha a resposta. Sei que abalei muita gente, que deixaram de ter outros pensamentos, outras conversas que não passassem por isto durante demasiado tempo. De qualquer modo, senti um grande respeito por parte da grandíssima maioria das pessoas pela minha decisão, uma curiosidade enorme para entenderem o que se passava comigo e o que tudo isto implicava. Agradeço por isso, por todo o apoio de quem tenha estado envolvido!
A segunda fase, a de depois de perceberem que a loucura estava mesmo instalada e que não havia nada a demover-me deste fito, normalmente era a de um sentimento de orgulho: “Ena pá!!! Tenho um amigo que é Super-Herói!”. De facto e estranhamente, para a maioria das pessoas, não é comum conhecerem um padre ou religioso, muito menos uma pessoa que decide largar tudo para ser ambas as coisas. Se calhar e também, por já ter visto muita gente a fazer isto, é que aqui estou e não o acho assim tão estranho. Estranho é que me achem diferente de si próprios na nossa humanidade. A questão é apenas: Em que é que a opção de querer ser mais eu próprio na minha vida, de me conhecer mais a fundo, de trabalhar para ser mais feliz, pode ser estranha? Porque foi só isso que fiz: assumir que quero chegar ao fim da vida e dizer “Valeu a pena… Valeu muito a pena!”. Claro que esta opção para mim, passa por coisas especiais e impensáveis para tanta gente (serão mesmo??), mas na sua essência, não fiz mais do que qualquer um devia fazer: seguir pelo caminho que mais me realiza e faz totalmente feliz. E por isso desmistifiquemos… Não sou nenhum homem aranha, nem super-homem, nem extra-terrestre. Não sou super-herói, nem quero sê-lo. Sou um homem, que quer ser mais Homem (humanizado) e que para isso toma o rumo que acha fazê-lo feliz. Já lá vamos ao como isso é feito!
Muito bonita foi também a atitude de entrega que tudo isto implicou. Não a minha entrega, que essa vai sendo construída aos poucos. Falo da entrega de todos os que precisavam de mim. E alguns tanto, mas este tema fica para um outro fascículo! Foi muito bom sentir que as pessoas me apoiam nesta decisão e que também elas, comigo, abdicam de tanta coisa, para um bem maior. Tenho a consciência de que imensa gente sofreu e sofre pela minha ausência nas suas vidas. Também eu sofro com isso e com cada pessoa. Mas sinto, ao mesmo tempo, toda a gente mais perto, ainda que fisicamente mais separados.
A Caderneta dos Super-Poderosos
Se de alguma forma me senti mais forte, mais diferente, ou qualquer coisa mais que as outras pessoas nessa fase, entre o anúncio e a entrada no noviciado, (julgo que não, mas os sentimentos foram tantos e tão intensos e até por vezes, contraditórios, que já nem sei!), acho que isso se esbateu completamente quando comecei aqui a viver. Aqui não há heróis porque estamos todos na mesma situação. Viemos de sítios, com histórias pessoais, com experiências de vida, com educações, completamente diferentes. Podíamos ter muito ou pouco (dinheiro, projectos, sonhos,…), mas para aqui estarmos tivemos e temos de largar o mesmo: Tudo. E como o mérito é igual, apesar das dificuldades pessoais para o fazer poderem não ser semelhantes, aqui é que não há mesmo Super-Heróis. Nem há pessoas que queiram ser Super-Heróis. Há homens que querem viver uma causa comum: a felicidade nas suas vidas.
Mas de uma coisa não podemos duvidar… Aqui estão reunidos uns cromos, daqueles que são raros e tão apetecidos em tantas cadernetas. Por uma única razão: queremos viver em verdade, connosco próprios, com os outros, mas sobretudo com Deus. Ou seja, nada de diferente do que qualquer cristão, diria mesmo, qualquer homem ou mulher, devesse querer fazer. O mérito ou a dificuldade desta opção não é maior ou menor que a de qualquer outra vocação. Pode até ser que um homem que siga a sua vocação de estar casado e ter filhos tenha mais trabalho, aflições, desânimos, sacrifícios, dificuldades e exigências que um padre. Se calhar, se formos ver bem, até tem de abdicar de muito mais. É tudo uma questão de liberdade… Liberdade em relação a tudo aquilo que me deixa ser menos eu e, por inerência e oposição, abraçar o que realmente me liberta. Ser Cristão é isso: abraçar a vocação a que Deus me chama.
O Cromo nº 1
O Cromo nº1 é aquele mais raro, que desde a primeira hora, quando se abre a caderneta ainda vazia, se quer ter. Sem este cromo, toda a colecção da minha vida deixa de fazer sentido, pois é por ele e a partir dele que toda a colecção é construída.
Nas vidas de todos os que cá vivemos, este cromo tem um nome: Jesus Cristo. Quem é Ele? É muito difícil explicar assim de repente quem é Ele… Ainda por cima, quem sou eu para o fazer? Faço pois minhas, as Suas palavras: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Ele não disse “Eu sou a Lei”, ou “Eu sou o profeta”, ou ainda “Eu sou o iluminado”. Não. Disse antes que era o Pão. Aquele que nos alimenta no nosso caminho, nos mantém vivos e em comunhão verdadeira com os outros. E por aqui me fico, porque por mais palavras que use, nunca conseguirei defini-Lo bem. Poderão dizer-me… “Nada disso é absoluto. O meu caminho, verdade e vida não passam por esses sacrifícios, mas muito mais pela minha carreira, dinheiro e poder, que são o que me fazem feliz.” Nada poderia ser mais falso. Por uma única simples razão… Quem busca por aí a felicidade, só está a pensar em si. Obviamente, uma pessoa pode ter sucesso, ter poder, ser rica e ainda ser feliz, mas com uma condição essencial: não estar dependente disso para o ser, o que de facto é muito difícil. Essa liberdade interior é que dá e trás a felicidade. Essa liberdade torna-nos próximos dos outros porque deixamos de nos relacionar a não ser pelo bem do próximo, livre, purificadora e libertadoramente. Para mim, essa liberdade tem um nome. A minha vida tem um nome. O meu caminho tem um nome. Jesus Cristo. E ao mesmo tempo é muito mais que um nome, porque não são títulos que trazem a felicidade, mas sim relações. Jesus Cristo é antes de mais, Aquele com quem me relaciono, que me conhece até ao meu ser mais profundo, que sabe o que tenho de bom, mas também o que tenho de mau e todos os meus podres, e ainda assim, não o merecendo a Seus olhos, me perdoa, ama, aceita e mais: conta comigo para andar a Seu lado, a construir o Seu Reino. E isto é uma honra única e maravilhosa. Podem ainda dizer-me…“Isso é muito bonito, mas não acredito em nada disso. Não acredito em Jesus Cristo”. Bom… Nesse caso, se apesar de tantas provas que a vida nos dá do Seu amor e existência, há quem não O siga, ao menos entenda uma coisa, essa sim inegável, porque salta aos olhos de todos: quem segue Cristo, torna-se melhor pessoa, mais feliz e os frutos do seu coração espalham-se para os seus próximos. “Pois, pois… Mas conheço cristãos péssimos e maus, e não-cristãos óptimos e bons”. É verdade. Um cristão é humano. Quem sabe se está a seguir Cristo de facto? Quem sabe até do muito maior mal que seria capaz de produzir se estivesse ainda mais longe de Cristo? Quem sabe no que se poderia tornar essa alma boa não-cristã, se tivesse um Sentido para o bem que produz? Não sei dos outros… Sei de mim. Não sei se se nota para fora (espero que sim!)… Sei no meu coração. Eu sinto-me melhor pessoa ao lado de Jesus, o único cromo que dá sentido à caderneta da minha vida.
Como já vai longa esta carta, fico por aqui, com a esperança de receber uma resposta muito brevemente! Muitas saudades!!
Francisco Ferreira de Campos, nsj




